neblina matinal


ABRI OS OLHOS
ABRI MAIS OS OLHOS.
O LUGAR ERA INCERTO
A HORA BARALHADA
AVARIOU-SE O RELÓGIO DE SOL
O DIA DEIXOU DE TER SENTIDO
VAGUEIO PELAS RUAS DA INCERTEZA
O QUOTIDIANO NÃO É ALI.

ESTOU TALVEZ PERDIDA NÃO SEI PARA QUE LADO É A PRAIA
O MAR FUNDE-SE NA BRUMA.

SE AO MENOS DESCOBRISSE COMO VOLTAR AOS DIAS FELIZES!

VAGUEIO POR UM MUNDO SÓ MEU
AINDA NÃO É HOJE QUE VOU ENCONTRAR O GRANDE AMOR
HOJE NÃO.

A NEBLINA MATINAL APAGOU O DIA DO MAPA
NÃO VOU Á PRAIA
NÃO VOU ENCONTRAR O GRANDE AMOR
NÃO ENCONTRO O REGRESSO A CASA

ESTOU SÓ
E VOU DESPARECER NA BRUMA.

Mon dieu

Ah mon dieu
C'est chaud, c'est froid

Quelque piége

Comme un aballoir??

Ah!

Le coeur

Le coeur

C'est frappé?

Ah, non non!

Mon dieu
Q'est ce que tu dis?

Non non...

J'ai vu les trompetes

J'ai vu la visage

La mer

J'ai vu tout le monde, comme ça!

Dans tes yeux, comme ça.

Um dia sonhei


É suave, refrescante
Ouço
Afoga-te!

Continuo a andar
Olho em volta
Cheira a violetas
Sabe a carvão

Afoga-te!

Tudo gira, redemoinha
Os sentidos apuram-se
Sinto a terra
Que segura os meus pés

Escuto

Afoga-te!
Corre! Corre!

Corro
Algo cai com um baque
Estou no chão
Vejo folhas lá em cima

Levanta-te! Continua a correr!

Afoga-te!

Acordo

a porta



Era uma vez um homem
que não abria nem fechava a porta.
A porta entreaberta.
A porta semicerrada.
De costas para a porta,
o homem ao piano.
Aprumado, insubstancial, como se lá não estivesse.
Quase plano.
No lugar da janela, um ecrãm onde passam imagens.
O mundo gira sem parar.
O homem tecla sem respirar.
A música que sendo a mesma, nunca é a mesma.
O homem que sendo o mesmo, podia ser outro.
A música, o mundo,
o movimento giratório da terra,
a vertigem até à morte.
Poucas pessoas entram e saem por essa porta.
Muitas passam e seguem.
Muito poucas, as que têm tempo, esperam do lado de fora.
Sempre no mesmo sítio,
o homem, plano, não olha para trás.

Helena; jan2008
POUCO ME IMPORTA QUE RESTEM
PEDAÇOS DE MIM NAS PEDRAS

Para sempre à espera de amanhã



Um sopro seco,
Um sussurro arranhado.
O longo silêncio
Viajante.

Na tarde que dorme
Espero pelo que era nosso,
Sem o ter-mos pedido
E que em meu se tornou
Sem o ter merecido.

No bater desesperado
O som. Desritmado.
Tendo aquilo em que penso
Fogo inanimado!
Espero, nado
Sibilante luar de notas apagadas,
De voz corroída

Cansaço de cantar

Sinto as folhas gemer
Gritando o seu sofrer.
Vêm sentar-se a meu lado
Chão...
Inexistente

Somos a conversa
O passar das horas
Somos os cabelos desgrenhados do Sol
De madrugada.
Somos como flores do Inverno,
De coraçãozinho apagado
Mortas pela geada
Esventradas de palavras.

Somos a espera pelo amanhã